Vila Nogueira de Azeitão

 

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Igreja de São Lourenço

Como as demais igrejas de Azeitão, S. Lourenço ficou muito arruinada pelo terramoto de 1755, mas em 1758 estava de novo restaurada e aberta ao culto.

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                                                              Igreja de São Lourenço - Abril 2000

              (informação retirada do Boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos nacionais - Set. 1957)

Não há terra portuguesa em que a história local não esteja intimamente enlaçada na história dá sua igreja. Sem uma, não se pode compreender a outra, não tem sentido a evolução de um povoado no decorrer dos séculos.  A vida espiritual condicionava em tempos passados, a vida material, de um povo e, por sua vez, o engrandecimento ou empobrecimento deste, representa-se nos edifícios, mais ou menos grandiosos, dos seus templos. Ficou dito, lá muito para trás, como a existência de uma quinta real em Aldeia de Nogueira determinou a desanexação desta da freguesia de Santa Maria do Castelo de Sesimbra, a construção de uma igreja no século XIV, a concessão de numerosos privilégios aos seus moradores pelos reis D. Pedro I e D. Fernando I. Era, sem dúvida, esse templo de pequenas dimensões, naturalmente de modesta construção. Nada dele resta, que nos permita avaliar, porém, da sua arquitectura. Acarinhada embora pelos prelados de Lisboa e pela Ordem de Santiago, foi, no entanto, obra do povo. Assim consta da provisão do Bispo D. Teobaldo, que noutro lugar largamente referimos, assim consta do Livro 1º do Tombo da igreja, onde se acha lançada a «Obrigação que os moradores desta freguesia de S. Lourenço dão do mantimento que devem dar aos Curas» Da igreja de Sesimbra, portanto da Ordem de Santiago, receberam os fregueses por esmola, para a sua obra, as coimas os domingos e dias santos Por isso o povo de Aldeia de Nogueira foi sempre, enquanto duraram os padroados, o padroeiro da sua igreja de S. Lourenço, apresentando o Cura, que o Patriarca confirmava. Não tem qualquer fundamento a afirmação, que corre impressa, de os Nogueiras, morgados de S. Lourenço de Lisboa, terem construído esta igreja, ou sequer de em algum tempo possuírem a Quinta de Aldeia de Nogueira, antes ou depois da Infante D. Constança. Em breve, essa igreja medieval se deve ter mostrado insuficiente dado o crescimento de Azeitão, sob a protecção real dos Aveiros.

Igreja - principio de século

Provavelmente em meados do século XVI como revelam certos pormenores arquitectónicos no interior, e atestam várias sepulturas datadas (1561, 1569, 1581... ), o templo foi inteiramente reedificado, beneficiando ainda de importantes obras nos séculos seguintes, como ao diante se verá. Como as demais igrejas de Azeitão, S. Lourenço ficou muito arruinada pelo terramoto de 1755, mas em 1758 estava de novo restaurada e aberta ao culto. Todo o exterior da igreja de S. Lourenço é muito singelo, sem quaisquer primores de arquitectura. Uma só torre sineira. No interior é essa mesma simplicidade, uma decoração sóbria e severa de mármores policromos da Arrábida e azulejos de figura, azuis e brancos, com um retábulo de bela talha seiscentista, que lhe dão toda a sua beleza e encanto. A igreja é de uma nave, bastante vasta em relação à estrutura do templo. A capela-mor é, sem dúvida, a que mais merece as atenções do arqueólogo e do artista, no seu conjunto. O altar é de mármore policromo da serra da Arrábida, e o retábulo dentro de uma boa moldura de talha dourada. seiscentista, representa a Ceia do Senhor. Imagens de S. Lourenço, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora da Conceição, Santa Teresa de Jesus e S. Miguel. Nas paredes laterais, dois de cada lado, quatro grandes painéis da vida de S. Lourenço, orago da freguesia, como a da Ceia pinturas do século XVII ou princípios do seguinte.

 Nossa Senhora do RosárioImagem da Senhora da Arrábida, na parte da Epístola. Em redor, belos azulejos setecentistas, a azul e branco, figurando passagens do Velho Testamento e dos Livros Antigos. Na opinião do Prof. Reinaldo dos Santos, saídos possivelmente das oficinas de António de Oliveira Bernardes: « ... nave e capela-mor estão revestidos de azulejos azuis e brancos, com grandes composições figuradas, no estilo dos Bernardes. Merecem sobretudo ser citadas as largas pilastras à entrada da capela-mor, excepcionais como expressão decorativa e largueza de composição» Muito semelhantes aos da Conceição de Beja, que são datados de 1741. No teto, uma pintura a fresco representa a Adoração da Sagrada Eucaristia. No chão, algumas sepulturas epigrafadas: Sepultura de Gil Fernandes Tavares. Fidalgo da Casa de El Rei e de seus herdeiros. Sepultura de Francisco Alvares, rnariscal do Duque de Aveiro, e de seus herdeiros. 1561 Sepultura de Luís Alvares e de Maria Filipe, sua mulher, e herdeiros O corpo da igreja. de uma só nave, está também revestido de painéis de azulejo azuis e brancos, de cenas bíblicas, em tudo semelhantes aos da capela-mor. Púlpito e baptistério de mármore da Arrábida, do século XVII.  Dentro de um nicho, do lado do Evangelho, uma preciosa imagem de Nossa Senhora do Rosário, em faiança policromada (século XVI), que J. Rasteiro atribuiu a Luca Della Robia, ou à sua escola é, pelo menos, uma peça notável «que tudo leva a crer ser de procedência italiana e da boa época da arte cerâmica» Veio em 1840 do extinto Convento de Santa Maria da Piedade. Colaterais da capela-mor, dois altares de talha foram retirados, substituídos por outros de cantaria e neles colocadas as imagens de N. Sr. de Fátima e do Coração de Jesus. No centro da nave, uma fileira de sepulturas, com seus letreiros

  • Sepultura de Afonso Nicolas.

  • Sepultura de Gaspar Dias e de seus herdeiros.

  • Sepultura de João Pinto, Cavaleiro Fidalgo da Casa de Sua Majestade e de sua mulher Simoa Correia e de seus filhos, a qual campa mandou pôr seu filho Manuel Correia Pinto, Cavaleiro fidalgo da Casa de Sua Majestade... 1607(?)

  • Sepultura de Estêvão Barreiros e de Mécia Dias sua mulher, a qual mandou fazer seu filho Estêvão Barreiros, cavaleiro fidalgo da Casa de El Rei Nosso Senhor. Era de 1591 anos.

  • Aqui jaz Luís Afonso que esta terra mandou e ninguem se agravou dele. Faleceu a 31 de Maio 99. E jaz tambern Anjo Barocas, seu genro. É dos herdeiros de ambos.

  • Sepultura de Pedro Pinheiro e de seus herdeiros. 1581.

  • Sepultura de Ana Fernandes de Mesquita, sogra de Alvaro Nunes. 1596.

    Interessa conhecer a descrição da igreja feita há dois séculos pelo cura Vicente Dias de Campos: «Tem três altares, o maior com o Sacrario, e da parte do Evangelho as imagens de S. Lourenço e de S. Francisco, e da Epístola, S. João e Santa Isabel. A capela-mor é de um arco de pedraria, o teto de abóbada com uma pintura do Sacramento muito primorosa, a tribuna toda dourada, e na boca um painel da Ceia do Senhor, singular pintura, e da parte da tribuna para o arco dois quadros de. cada parte com a vida de S. Lourenço, todos de singular pintura. O corpo da igreja é de uma só nave, e o teto de madeira, pintado à moderna, tem na frente dois altares, o da parte do Evangelho é da Senhora da Conceição, imagem muito milagrosa, Santa Luzia e Santo António e um Sacrário em o qual se conserva um relicário de prata que mandou de Espanha a Duquesa de Aveiro. Da parte, da Epístola a imagem de Cristo Crucificado, o Anjo S. Miguel e Santo André Apóstolo, a pia baptismal é de brecha da Serra da Arrábida de muitas cores ... ». Digna ainda de especial referência a preciosa custodia de prata dourada, inventariada já numa visitação da igreja. pela Ordem de Santiago, em 1534 e estudada por J. Rasteiro. Existe também o relicário oferecido pela Duquesa de Aveiro, em forma de urna encimada por uma Cruz, ladeada por cabeças de anjos, e toda lavrada. Algumas imagens mencionadas pelo Padre Vicente Dias de Campos, retiradas do culto da igreja, guardam-se hoje num anexo, chamado «o Céu», e na sacristia, com outras de menor consideração. No cartório, uma "cultura de Sant'ana, e no baptistério, S. João Baptista. No adro, um cruzeiro singelo, com a inscrição: Um Padre Nosso e urna Ave Maria pelas almas do purgatório pelo amor de Deus, 1726. Dizem que este cruzeiro substituiu outro, datado de 1344 e que junto dele estava uma campa, com este letreiro: (Sepultura) de José Felix Falcão, Cavaleiro Fidalgo. A paroquial igreja de S. Lourenço de Vila Nogueira de Azeitão foi classificada «imóvel de interesse público» em 1938, e restaurada pela direcção-geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais.
    Diga-se de passagem que existem, actualmente, certos pormenores desta igreja que mereciam uma conservação e restauração, por exemplo algumas das pedras (no exterior) estão bastante "comidas".


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